
por Cristina Thomé
Absorta pela música. Todos os sentidos entregues à voz envolvente que serpenteava pelo salão. Poucos casais na pista de dança e tudo à meia luz. Ela se perdia na fumaça do cigarro.
Era uma mulher cansada essa noite. O peso de tantas coisas se depositou em seu corpo, o choro preso na garganta. Há meses frequentava aquele lugar, ocupando a mesma mesa, apenas para ouvir aquela voz negra de mulher voluptuosa entoando um blues, sempre no mesmo tom.
Aquilo soava familiar à sua solidão. Havia errado tanto na vida, já havia perdido tanto...
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