
por Cristina Thomé
Conheci uma casa que dá presentes. Oferece beija-flor pra ser salvo, brindando as pessoas com a consciência da generosidade.
A casa tem um gambá no forro, que aparece às vezes. Pelo passinho pesado sobre nossas cabeças, dá até pra sentir o seu calor, o gordinho do corpo. O bicho brinca à noite. A travessura é tirar o sono dos outros e, quem sabe, convidar para a lua, ver se o céu tem estrela.
Além de linda, a casa é confortável de não acabar mais. A madeira das paredes, as janelas, os vidros mostrando o dia lá fora, trazem paz ao coração. Essa casa inexplicavelmente faz com que nos sintamos amados, como se nos acolhesse e falasse de como somos importantes.
A casa parece que nos coloca no colo e mostra que também nós somos capazes de abrigar pessoas. Que existe a possibilidade de agregar quando queremos. Ao mesmo tempo, ela nos nivela. Atribui a mesma importância a todos que estão abaixo do seu teto. Porque pra ela o importante é somente a disposição das pessoas em se acolherem umas às outras.
Existe um segundo piso, acessível por uma escada espiralada. Dali se vislumbra o jardim. Lá em cima um espaço para o recolhimento, para a leitura, para pensar. Assim como ela mistura as pessoas, ela também separa. É uma tentativa de falar que o silêncio é igualmente necessário. De que é preciso que a gente se entenda, se encontre primeiro para ser inteiro em outros encontros.
Se uma casa pode ser nossa família, essa deve ser mãe. Do tipo de mãe boa, que passa a mão em nossa cabeça e a recosta no ombro quando precisamos tanto. Ela nos abraça em suas poltronas, em seus sofás, nas camas, nos cobre, nos aninha.
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