
Por Cristina Thomé
Do emaranhado de gentilezas, palavras cuidadas, ódio, blasfêmias, se levanta a Medusa. Fustiga as palavras e as lança longe. Não quer discurso a criatura impaciente.
Os olhos mortos da Medusa embalam a ira. Da beleza fora alijada. Afasta da fronte o confuso movimento de serpentes e fareja a adequada posição. Dirige seu olhar. As cobras eriçadas acompanham sua gargalhada de sarcasmo: mais um ser de pedra decora a sala.
Ela se afasta, lenta e entediada. Junto com as serpentes, o pensamento de que os deuses ao lhe impingirem a desgraça, lhe concederam um presente: a mortalidade. Não suportaria se arrastar para sempre.
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