.jpg)
Casualmente fui confrontada ontem com verdades diferentes. Ou não foi nada casual... Sei lá! Talvez seja o tal do destino mexendo seus fios de marionete e a gente sempre achando que está no controle...
As situações têm me mostrado que não existe "verdade". Existem sim, "verdades". Leonardo Boff – e, acho que um monte de gente além dele...– diz que "um ponto de vista é a vista de um ponto". Depende a partir de onde se observa, determinada coisa nos parecerá sob determinada maneira. Se alguém, do outro lado do vale, se debruçar para olhá-lo, verá outra paisagem, porém o mesmo vale...
Ontem ouvi um novo ponto de vista sobre uma história que já conhecia. E, trazendo à memória os outros pontos de vista, nenhum deles me pareceu errado. Apenas diferentes, porque pertencem a diferentes pessoas.
Isso me fez pensar sobre discurso: o quebra-cabeças das palavras. Uma coisa é de fato ver um determinado assunto sob determinada perspectiva. A tolerância implica em aceitar diferentes pontos de vista. Mas, existe o risco de manipularmos as palavras de forma que o outro acredite que o nosso ponto de vista é o mais adequado. Este pode ser um ato premeditado ou inconsciente.
Palavras são grandes esconderijos, às vezes. E não é lá muito "fair play" manipular, inverter o discurso, para convencer o outro de que temos razão. Tenho pensado sobre discurso, pontos de vista e culpa. Se vibramos no universo da culpa, somos presas fáceis do discurso alheio. É uma questão do outro descobrir onde está nossa vulnerabilidade e, pronto!
Ficar nu, despido de discurso, é tarefa das mais difíceis. O outro poderá ver em nós o que somos ou o que ele acha que somos. Podemos argumentar, mas não impor. Ao deixar que o outro nos veja livremente, abrimos caminho para que ele fique ou para que ele vá embora. E daí, precisamos gostar e acreditar em nós mesmos para aceitar a rejeição: ser rejeitado pelo que o outro sinceramente viu em nós. Ou, surpresa: o outro pode ficar porque gostou do que viu.
Criar uma teia para segurar as pessoas, através da manipulação do discurso, é muito cruel! Principalmente quando o outro ainda é dependente de nós, quando o outro não acredita em si próprio, está perdido ou cansado. E quem faz isso pode apenas estar tentando se livrar da culpa que acha que tem, jogando-a nos ombros de outra pessoa e, se enganando, achando que a sua verdade é a única!
Bem, depois de todas essas reflexões paralelas a um papo comprido, cheguei em casa e pedi uma orientação ao Tarô: ele me mostrou "O Bobo".
O bobo
(a carta zero)
Bobo é quem confia sempre; bobo é quem continua confiando, contrariamente ao que recomendam todas as experiências vividas. Você o engana, e ele confia em você; você o engana de novo, e ele continua confiando; você o engana mais uma vez, e ele ainda confia em você. Então você dirá que ele é um bobo, que não aprende. A confiança dele é enorme; é uma confiança tão pura que ninguém consegue corrompê-la.
Seja um bobo no sentido taoísta, no sentido zen. Não tente criar uma muralha de conhecimentos em torno de você. Seja qual for a experiência que venha a você, deixe-a acontecer e depois siga em frente, descartando-se dela. Vá limpando sua mente o tempo todo; vá morrendo para o passado, de forma a permanecer no presente, no aqui-agora, como se tivesse acabado de nascer. No começo isso será muito difícil. O mundo começará a tirar vantagem de você... deixe que o façam. São uns pobres companheiros.
Ainda que trapaceiem você, que o enganem e roubem, deixe acontecer, porque aquilo que é realmente seu não pode ser roubado, o que realmente lhe pertence ninguém pode tirar de você. E a cada vez que você não permitir que as circunstâncias o corrompam, a oportunidade se transformará em um efeito de integração dentro de você. A sua alma se tornará mais cristalizada.
Comentário:
momento a momento e a cada passo o Bobo vai deixando o passado pra trás. Só leva sua pureza, sua inocência e sua confiança, simbolizadas pela rosa branca na mão. O estampado do seu colete apresenta as cores dos quatro elementos do Tarô, indicando que ele está em harmonia com tudo o que existe à sua volta. A sua intuição está à flor da pele. Neste momento, o Bobo tem o apoio de todo o universo para dar o seu salto em direção ao desconhecido. Aventuras esperam por ele no rio da vida.
A carta está indicando que, se neste momento você confiar em sua intuição, na sua sensibilidade para o "caminho certo" das coisas, você não poderá errar. Os seus atos poderão parecer "tolos" para os outros, ou até para você mesmo, se tentar analisá-los com a mente racional. A posição "zero" porém, ocupada pelo Bobo, mostra que a confiança e a inocência é que são os guias, e não o ceticismo e a experiência passada. (fonte: www.osho.com)