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por Cristina Thomé
Límpida, a voz cruza o corredor, desce escadas, encontra a rua. O requinte das lembranças o habita novamente. O frio corrói seus ossos, não tem como remediar. A voz, ao menos, aquece. A força da sonoridade ressuscita imagens.
Não se incomoda. Tanto faz os restos de roupa, a parede fria que lhe sustenta as costas. O que importa é enebriar-se na voz, lembrar-se tão nitidamente daquele rosto, a lembrança concreta que poderia tocar.
Suas mãos atingem o vazio ao quase encostarem no passado. Nem sabe a qual vida pertence o rosto. Sente a dor funda. Todo o frio, toda a fome jamais machucarão como a ausência, a falta que o rosto lhe faz.
O canto lírico reacende o sentido. Parece que algum valor lhe resgata. Apenas sentimento, monólogo silencioso que a alma aceita tão bem.
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